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A curiosidade é o motor da imaginação. Foto: Divulgação |
Peter Pan é uma das histórias que envolvem mais a imaginação. A gravação de 2003 é baseada na peça escrita por James Matthew Barrie, em 1904, sobre um menino que não cresce nunca e leva Wendy e seus irmãos para a Terra do Nunca, onde existem piratas, índios e aventuras. A trama é conhecida pelo mundo todo e muitos já assistiram a diversas versões, seja em animação ou não. A questão que quero abordar nesse comentário é sobre a realidade e o imaginário apresentados no filme.
"Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas. O adversário somos nós mesmos" A frase de Martha Medeiros faz sentido junto ao que é dito no início no filme: "todas as crianças crescem, menos uma, Peter Pan". A história é mais de Wendy do que do menino. Afinal, quem passa pelas transformações do crescimento é ela. Muitos elementos, os que fazem o filme ser tão atraente, são imaginários, não existem, como a Terra a Nunca, fadas, crianças que podem voar com o pó mágico e pular em nuvens de algodão (será?).
É interessante perceber Wendy adaptando os contos de fada para aventuras enquanto brinca com os meninos menores. Ela diz: "E Cinderela saiu voando para longe de tudo o que é feio e vulgar e foi para o baile [...] lutou cotra o pirata e, a corajosa Ciderela, resolveu tudo com um revólver". Imagine a cena! Mas no fim, volta ao enredo original do conto, e ela fica com o príncipe. Com 13 anos, está sendo vista como uma pequena moça em idade para procurar um futuro marido. Ao mesmo tempo, ainda é muito menina e começa a conhecer o amor, não correspondido por Peter, que não sabe o que é este sentimento.
É curioso que os "meninos perdidos", que vivem na Terra do Nunca, pedem para ela ser a mãe deles. Wendy passa pela emoção da paixão, do sonho (dança com Peter voando cercada das pequenas luzes das fadas) e da incompreensão por ele não amá-la, afinal, ele é uma criança e, como diz o narrador, "o que perturba um adulto nunca perturbará uma criança".
Sininho "era tão pequena só sentia um sentimento de cada vez. Se sentia ciúmes era má, se tinha arrependimento, fazia o bem. Tem até um momento de "castigo", quando quase morre por ter bebido o veneno sem antídoto que o Capitão Gancho preparou para Peter. Acredito até que Sininho seja apaixonada por Peter, formando um triângulo amoroso, situação comum na realidade.
Duas frases que marcaram: "Morrer será uma enorme aventura", desafia Peter, quando Gancho está prestes a matá-lo e "Viver seria uma incrível aventura", diz o menino, em tom de lamento, ao ver que não teria uma família como a de Wendy, os irmãos e os meninos perdidos, que foram adotados por eles. É aquela máxima de que não se pode ter tudo. Ou se vive no mundo da fantasia, com aventuras e mágica, ou na realidade, com uma família e o amor dos pais e dos irmãos.
Assistir Peter Pan (2003) é abrir a mente para uma aventura digna de sonho. Um mundo que permeia o imaginário de crianças e adultos por todo o planeta e que é coletivo por mérito da arte do Cinema. Quem nunca pensou em ter Sininho como amiga? Em lutar contra o Capitão Gancho e voar com Peter Pan? Nos imaginário todos fomos Wendy alguma vez, dividida entre a realidade e a fantasia. Mesmo no mundo mágico existe o mal, por isso as crianças decidem voltar e acabar com a aflição dos pais, que vivem a esperar os filhos perdidos no parapeito da janela.
O filme termina, Peter desaparece, as letras sobem e fica aquela sensação de que é possível acreditar em fadas e voar tendo sentimentos bons, mesmo que apenas em sonhos. Mas vale lembrar que quando acabam os sonhos é preciso voltar para a realidade.

Um comentário:
Perfeito.
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