terça-feira, 30 de agosto de 2011

Enrolados: você vai querer que seus sonhos virem realidade

Aventura e romance, como num bom conto de fadas. E melhor, bem humorado!
Foto: Divulgação/Disney
Que menina nunca sonhou ser Rapunzel só por causa do cabelão? Com certeza as meninas que conheceram a Rapunzel (2010) da Disney  tem um imaginário diferente do eu e muita gente teve. Mais do que lindos, os 21 metros de cabelo são úteis, dá para pular, brincar, balançar e o que se imaginar, porque o cabelo é mágico! Muito mais instigante do que aquele que só serve para uma trança para subir e descer da torre. Nada melhor para comemorar a marca de 50 animações da Disney, um remake muito bem feito do conto de fadas. Assisti no cinema e mais duas vezes. Posso assistir muito mais. E falar bem mais ainda! 

Uma novidade na história é que o príncipe encantado sai de cena e entra um ladrão em fuga. A substituição é bem mais condizente com a realidade dos homens de hoje. Brincadeira. Mas é bom as meninas saberem que príncipes encantados não existem! E que isso não quer dizer que um rapaz mau (que se revela apenas incompreendido e sonhador) pode sim se transformar com o amor. Que lindo. Ele é o passaporte de Rapunzel para o mundo, afinal ela escondeu a coroa que ele roubou do palácio e a princesa promete devolver se ele a levar para ver as lanternas que voam pelo céu todos os anos.

Flynn Ryder tem um ar cômico e é dublado no Brasil por Luciano Huck. Não gosto muito dele, mas ficou bom na dublagem. Aliás, legendado ainda não assisti por não conseguir ver sozinha, porque geralmente não tenho apoiadores. Mandy Moore dubla Rapunzel em inglês, o que já vale as músicas do filme. Aos que são contra a dublagem sugiro que leiam o artigo de Pablo Villaça sobre os malefícios da dublagem.

Personagens coadjuvantes que fazem toda a diferença, e são indispensáveis em animações infantis, são os animais engraçados. Neste caso, temos o grande amigo de Rapunzel, Pascal, um camaleão simpático que muda de cor em cada situação. Pascal é companheiro da princesa que vive presa na torre. Sem ter com quem conversar ou brincar além, da mãe (uma bruxa que a roubou para usar os poderes do cabelo mágico, que se forem cortados perdem o poder). Temos também o cavalo Maximus, sério e eficiente, que recebe a missão de capturar Fynn, mas amolece ao conhecer a princesa. Eles proporcionam aqueles elementos engraçados e rápidos, os famosos "ah!" ou "haha!" curtinhos no meio do filme e que, é claro, como qualquer detalhe fazem diferença. 

Divulgação/Disney
Aliás, Enrolados é também um filme para adultos. É uma oportunidade de rever conceitos e deixar que as novidades da trama baguncem os padrões do conto já concebidos na infância. Nada melhor do que ter novas ideias. O filme tem cenários dignos de conto de fadas e passagens musicais que o tornam ainda mais divertido. É uma animação no sentido literal da palavra. Mas como fã do gênero, sou suspeita.

Destaque para a personalidade de Rapunzel. Ela cresceu sem saber que era princesa, fazendo trabalhos domésticos e artísticos, mas sem perder o sonho de conhecer o "perigoso mundo" de fora da torre. Mesmo assim é corajosa para capturar Flynn e se aventurar pelo desconhecido. Fica evidente que ela sofre por desobedecer a mãe com variações de "Eu sou uma filha horrível" e "Eu amo ser livre". Ela é apenas uma adolescente querendo descobrir o que são as luzes que vê todos os anos em seu aniversário. Rapunzel é curiosa e mesmo com medo e aflição por ir contra os ensinamentos da mãe, confia em um desconhecido para realizar seu sonho.

Divulgação/Disney
Poderia analisar muitos detalhes da história. Mas são tantos que teria que dividir em capítulos. Enrolados estimula o espectador a se aventurar na vida para buscar a realização de seus sonhos. Se os contos de fada criam sonhos e imaginários, este filme faz você ir atrás deles. Fica o desafio para você. Assista, reflita e imagine! Aliás, "Se enrole todo"!



domingo, 28 de agosto de 2011

Peter Pan: a realidade dentro da fantasia

A curiosidade é o motor da imaginação. 
Foto: Divulgação
Peter Pan é uma das histórias que envolvem mais a imaginação. A gravação de 2003 é baseada na peça escrita por James Matthew Barrie, em 1904, sobre um menino que não cresce nunca e leva Wendy e seus irmãos para a Terra do Nunca, onde existem piratas, índios e aventuras. A trama é conhecida pelo mundo todo e muitos já assistiram a diversas versões, seja em animação ou não. A questão que quero abordar nesse comentário é sobre a realidade e o imaginário apresentados no filme.

"Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas. O adversário somos nós mesmos" A frase de Martha Medeiros faz sentido junto ao que é dito no início no filme: "todas as crianças crescem, menos uma, Peter Pan". A história é mais de Wendy do que do menino. Afinal, quem passa pelas transformações do crescimento é ela. Muitos elementos, os que fazem o filme ser tão atraente, são imaginários, não existem, como a Terra a Nunca, fadas, crianças que podem voar com o pó mágico e pular em nuvens de algodão (será?).  

É interessante perceber Wendy adaptando os contos de fada para aventuras enquanto brinca com os meninos menores. Ela diz: "E Cinderela saiu voando para longe de tudo o que é feio e vulgar e foi para o baile [...] lutou cotra o pirata e, a corajosa Ciderela, resolveu tudo com um revólver". Imagine a cena! Mas no fim, volta ao enredo original do conto, e ela fica com o príncipe. Com 13 anos, está sendo vista como uma pequena moça em idade para procurar um futuro marido. Ao mesmo tempo, ainda é muito menina e começa a conhecer o amor, não correspondido por Peter, que não sabe o que é este sentimento. 

É curioso que os "meninos perdidos", que vivem na Terra do Nunca, pedem para ela ser a mãe deles. Wendy passa pela emoção da paixão, do sonho (dança com Peter voando cercada das pequenas luzes das fadas) e da incompreensão por ele não amá-la, afinal, ele é uma criança e, como diz o narrador, "o que perturba um adulto nunca perturbará uma criança".

Sininho "era tão pequena só sentia um sentimento de cada vez. Se sentia ciúmes era má, se tinha arrependimento, fazia o bem. Tem até um momento de "castigo", quando quase morre por ter bebido o veneno sem antídoto que o Capitão Gancho preparou para Peter. Acredito até que Sininho seja apaixonada por Peter, formando um triângulo amoroso, situação comum na realidade.

Duas frases que marcaram: "Morrer será uma enorme aventura", desafia Peter, quando Gancho está prestes a matá-lo e "Viver seria uma incrível aventura", diz o menino, em tom de lamento, ao ver que não teria uma família como a de Wendy, os irmãos e os meninos perdidos, que foram adotados por eles. É aquela máxima de que não se pode ter tudo. Ou se vive no mundo da fantasia, com aventuras e mágica, ou na realidade, com uma família e o amor dos pais e dos irmãos. 

Assistir Peter Pan (2003) é abrir a mente para uma aventura digna de sonho. Um mundo que permeia o imaginário de crianças e adultos por todo o planeta e que é coletivo por mérito da arte do Cinema. Quem nunca pensou em ter Sininho como amiga? Em lutar contra o Capitão Gancho e voar com Peter Pan? Nos imaginário todos fomos Wendy alguma vez, dividida entre a realidade e a fantasia. Mesmo no mundo mágico existe o mal, por isso as crianças decidem voltar e acabar com a aflição dos pais, que vivem a esperar os filhos perdidos no parapeito da janela. 

O filme termina, Peter desaparece, as letras sobem e fica aquela sensação de que é possível acreditar em fadas e voar tendo sentimentos bons, mesmo que apenas em sonhos. Mas vale lembrar que quando acabam os sonhos é preciso voltar para a realidade.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Uma trama de perder os parafusos

Cidade estranha, aqueles que são mais próximos de você não te reconhecem. 
E ainda querem te matar.
Foto: Divulgação.

O que você faria se acordasse e tudo o que você conhece como parte da sua vida não lhe pertence mais? Família, trabalho, carreira, projetos, cidade. E o pior, alguém assumiu seu lugar. Isso é o que acontece com o Dr. Martin Harris (Liam Neeson) em Desconhecido (Unknown), 2011. O cientista acorda depois de um acidente em Berlim e se vê perdido e ainda sendo perseguido por misteriosos assassinos. É um filme cheio de mistério e dúvidas, com 113 minutos de suspense. Aborda questões éticas e de espionagem industrial em relação a descobertas científicas.

É aquele filme que você só entende no final e fica pensando "como não imaginei isso antes"? Qualquer detalhe perdido faz diferença. Bom para assistir acompanhado e ir conversando sobre a trama. Reviravoltas, esquemas, planos e, é claro, algumas mortes: elementos de um bom suspense. Ah! E, é claro, tem um clima de romance, mas nada que estrague para os que não gostam de breguices. 

A parte sobre a ciência também é bastante interessante e faz pensar se realmente aquele novo alimento é possível e, ao mesmo tempo, "por que não inventam isso logo para acabar com a fome no mundo"? Li na web que Unknown tem o mesmo enredo de Taken, apenas mudando de cenário, o último se passa em Paris, mas como ainda não assisti a este, não posso confirmar.

Quando a polícia não acredita em você e ainda acham que você está louco, parece ser o fim do mundo. O espectador é envolvido num clima de dúvida. É o tipo de filme que gosto, que fico me imaginando na situação das personagens. A opinião sobre o caráter dos envolvidos vai mudando ao longo do filme. Faz tempo que assisti e ainda lembro que fiquei agitada pelas revelações e desdobramentos. Não vou contar o final para não estragar, apesar da vontade e de ter o que dizer. Não sei se a história poderia acontecer na vida real, mas se a arte imita a vida, vale assistir, imaginar, refletir e tirar as próprias conclusões.

Ser desconhecido nos dias de hoje é díficil, com Twitter, Facebook e afins. Todo mundo tem uma vida registrada na Internet (o que também conseguiu ser alterado na vida de Dr. Harris). O conceito de "conhecido" é comumente confundido por "famoso". Eu sou conhecida pelos meus amigos pessoalmente e virtualmente e eles sabem, assim como sei deles, parte da vida, profissão, preferências... Mas se um dia ninguém mais soubesse quem sou, me (re)conhecesse e ainda alguém tomasse meu lugar e vivesse minha vida, acho que perderia meu último parafuso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um matador especialmente para você

"Quem você gostaria de ver morto? Eu mato para você" 
Foto: Worldwide SPE Acquisitions Inc.
Muitos tiros. Para quem gosta A Lista (The Hit List), 2011, é uma boa opção. Poderia ser um bang-bang moderno, mas os tiros praticamente vêm todos de um lado só. Allan Campbell (Cole Hauser) em um verdadeiro bad day conhece Jonas Arbor (Cuba Gooding Jr.) que se apresenta como um matador profissional. Estimulado, Allan faz sua lista de cinco pessoas que gostaria de ver mortas. Bêbado, vai ao banheiro e quando volta o novo amigo sumiu com a lista. No dia seguinte, os assassinatos começam e o filme se desenrola com Allan tentando conter Jonas.

É de assustar a frieza de Jonas. Sem demonstrar nenhuma emoção ou reação. A mesma expressão o filme todo deixa o espectador esperando o momento em que ele vai revelar se tem um coração. A cada morte a situação vai saindo do controle. Allan está arrependido de ter feito a lista e não quer que aquelas pessoas morram. Mesmo que não seja o assassino, ele é o mandante, mas acaba virando refém de Jonas, um ex-agente militar do governo que sofre com uma doença causada por urânio empobrecido.

Jonas é incontrolável. Nada o faz parar. A lista foi feita e será cumprida. Apenas Allan pode impedí-lo e falar não basta. O filme mostra ainda o infinito combate entre polícia local e agentes especiais pelo comando do caso. Jonas havia desaparecido e está morrendo, dá a entender que o próprio governo quer aproveitar e pôr um fim  na vida do homem. Para o detetive da polícia é um quebra-cabeças a ser decifrado.

A Lista me prendeu numa tarde de domingo e  impressionou apenas pelos tiros e armas inacabáveis. Fiquei com a questão na mente: "Eu gostaria de ver alguém morto"? Decidi que não. Acredito que a intenção era trazer à tona uma discussão sobre a falta de apoio psicológico aos agentes do governo norte americano ou sobre o urânio empobrecido que, pelo que o personagem diz, se acredita que não traz danos à saúde. Não deu certo. A questão fica escondida atrás das cápsulas mergulhadas em sangue.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

♫ E os caminhos nos trouxeram para este lugar ♪

Há um mundo por fora e um mundo por dentro de cada um.
O que eu vejo não é o mesmo que você vê.

A objetividade inalcançável que os jornalistas sempre perseguem (ou supõe-se que o fazem ou ao menos tentam) é deixada de lado pelo Cinema quando romanceia uma história. Aliás, quando decide transformar em filme uma história real. É semelhante ao Jornalismo de TV que usa imagens que representam a realidade. Poderíamos pensar pela lógica de que sabemos que o Cinema é ficção mesmo quando a base da história é verdadeira e o jornalismo não, deve ser totalmente real.

Em "A Caçada" (2007) ouvimos a frase "o jornal também publica horóscopo, e você acredita nele?". O leitor/telespectador médio ainda duvida e questiona determinadas histórias e coisas da mídia, mas o Cinema está acima de qualquer suspeita, porque não se apresenta como real. É ficção, projeção. Por isso a televisão precisa ser tão massiva e repetir inúmeras vezes as mesmas imagens, para também acreditarmos nela. Escutamos e falamos expressões como "Eu vi na TV, é verdade" ou "Eu vi um filme impressionante de uma história real" (geralmente com o pleonasmo "fato real" no lugar), como se ambos recebessem o mesmo peso, o mesmo significado.

O Cinema cria simulacros da realidade para representá-la, enquanto o Jornalismo, para reportar a realidade, é obrigado a usar representações (imagem/palavra/som) criando também esses simulacros. Imagens não são a realidade mesmo que a mostre. Imagem é representação. E como qualquer representação tem seus atores, edições e cortes para melhor se adaptar à tela. Do mesmo modo, a publicidade muitas vezes cria uma ficção para que o receptor acredite que terá aquela realidade se obtiver ou consumir determinado produto.

O fato é que vivemos cercados de representações e as consideramos como nossas realidades. Usamos redes sociais e de troca de mensagens nas quais não chamamos mais as fotos de fotos, mas sim de Avatares. Um Avatar, segundo a religião Hindu, é uma encarnação de um ser divino. Para James Cameron, Avatar é um ser que recria outro e que vive através do controle mental de um humano e que ainda lhe rendeu milhões de dólares. Para mim, Avatar é minha foto no Twitter. Só aqui temos três verdades sobre uma palavra. Imagine quantas verdades existem para os fatos que, de maneira simplista, acreditamos naquela que vemos na mídia.

Completando a música do título, esse é o nosso mundo em comum, e "aqui vamos ficar; amar, viver, lutar; até tudo acabar..." ♪♫ lere lerê ih!

Sorte ou talento?

Quando o trabalho é uma questão de sobrevivência
Foto: Movies.ign.com
A Caçada é aquele tipo de filme que quando termina eu penso "bah..." e fico tentando organizar todas as informações, cenas, observações e começo a viajar nas minhas ideias enquanto ainda sobem os créditos (viagem que você vai poder ler no próximo post). Gostei. Fala de jornalismo, fala de televisão, fala de guerra, fala de amor e fala de coisas que não aconteceram realmente. O Cinema e sua licença poética.

A história é real, com adaptações, baseada no artigo What I Did on My Summer Vacation disponível aqui (para quem lê em inglês e tem tempo de sobra, porque é longo!). Começa com uma frase convidativa e desafiadora "Apenas as partes mais absurdas dessa história são verdadeiras". Três jornalistas, que eram originalmente cinco, em uma busca por um dos criminosos de guerra mais procurados, ou nem tanto assim, da Bósnia em 1999.

O personagem principal, Simon Hunt, interpretado por Richard Gere, é um consagrado correspondente até surtar ao vivo depois de um dia difícil, em 1994. É demitido e passa a levar uma vida de freelancer viajando a cada fronteira ou trincheira que encontra, para encontrar uma grande história, sem sucesso. Enquanto isso seu parceiro, o cinegrafista Duck, representado por Terrence Howard, é promovido para trabalhos mais leves e menos estressantes em New York. Quando se reencontram, surge a chama dos velhos tempos e junto com o filho do vice-presidente da emissora, um jornalista recém-formado, o trio vai atrás de uma entrevista com o Raposa, apelido de Radovan Karadzic.

Em meio aos tiros e perseguições Hunt explica a Duck porque o amigo aceitou gravar a reportagem dele: "Arriscar a vida é viver de verdade. O resto é televisão", apenas um exemplo do humor irônico empregado no filme. Hunt  não quer a entrevista apenas, quer capturar o criminoso que está facilmente ao alcance de CIA, ONU e OTAN, pela recompensa de US$ 5 bilhões. Ele está no fundo do poço. O grupo encara a aventura e corre risco de morte, até chegar... Não vou contar o final, é claro.

É um filme que nos deixa surpresos e reflexivos sobre a possibilidade da conivência de organizações de combate aos crimes internacionais e, principalmente, contra a humanidade, em permitir a liberdade dos responsáveis por milhões de mortes. Um grande destaque é a amizade, a cumplicidade e a importância do trabalho em equipe, entre repórter e cinegrafista. Mas não acredite em tudo, afinal, quem conta um conto...

Se você gosta de filmes sobre guerras ou jornalismo de guerra, recomendo. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

♪♫ Eu vejo o futuro repetir o passado ♪♫

Têm coisas que a tecnologia não substitui. 
Foto: Divulgação.

Eu, Robô e Eu, Atrasada. O filme é de 2004 e só consegui assisti-lo todo esse fim de semana. Sim, já tinha começado a ver por três vezes, mas, por diversos motivos, nunca passava da primeira meia hora. E eu tinha curiosidade porque li em algum lugar que era um filme ruim. Não achei. Não é tudo, aquele que quando termina a gente diz "que filme!", mas tem o seu valor.

O que me chamou mais a atenção foi o AllStar de Spooner, personagem de Will Smith. Claro que não chamou mais atenção do que as cenas dele sem camisa ou só de cueca... Porém, é interessante observar que não é apenas uma propaganda da marca considerada "retrô" em 2032, época em que se passa o filme. AllStar já é consagrado hoje e há muito tempo. Aparece em mais de uma cena e os personagens fazem comentários sobre ele. 

A avó e o chefe de Spoon percebem a "estrela" e ele sofre ao ver o tênis sujo depois do acidente. Há quem diga que "AllStar bom é AllStar sujo", mas acho que é brasileirismo, porque Spoon pareceu bem preocupado com a limpeza

Isso faz sentido porque o detetive é claramente contra os robôs. Desse modo, tudo o que é básico e sem tecnologia combina com ele. O tênis na trama é mais que acessório. É conceito. Assim como AllStar é mais que um tênis, é uma definição de estilo. Mesmo que quem o use não tenha estilo, agrega valor. 

Mesmo que todo mundo já tenha visto, recomendo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Afinal, o que é real?

A cachorra observa o misterioso banheiro que nunca aparece, só dá susto. 
Foto: divulgação

Atividade Paranormal 2 é o filme escolhido para o post de hoje. Achei Atividade Paranormal, o primeiro, bem mais assustador. Não sou fã de filmes de terror, acho que sempre tem sangue demais, monstros demais e medo demais, por isso prefiro os de suspense. Acho que por isso Atividade Paranormal entra para a minha lista de preferidos, não exagera tanto. A história do filme 2 acontece antes dos acontecimentos do 1. Poderia se chamar "Atividade Paranormal - A origem".

Explico porque prefiro o primeiro: tem mais cenas de atividades paranormais (hahaha). O segundo tem muita explicação, muita coisa para que o primeiro faça sentido. As câmeras, que agora são basicamente de vigilância eletrônica e daquelas que filmam no escuro, dão mais possibilidades de visões diferentes de uma mesma cena, o que é legal e foi uma boa jogada. E o cenário também é bem restrito como no primeiro, sendo que o foco é o quarto do bebê e a escada (no anterior, é o quarto do casal e a escada também). 

A cachorra da família tem papel de destaque, de certa forma. É ela quem "vê", late, age de forma estranha e até cuida do bebê, o grande alvo do vilão invisível. O banheiro do quarto da criança é um mistério, assim como o porão. Têm cenas realmente assustadoras, sem exagerar, mas também têm cenas confusas em que você não consegue saber se a câmera está virada para cima ou para baixo, o que em mim causou uma aflição danada. 

É tudo de mentirinha, mas você acredita!

Durante todo o filme os atores principais do primeiro filme interagem com os novos falando dos medos e suposições que possam explicar os fatos estranhos. Se apresenta como uma história real, assim como A Bruxa de Blair e Distrito 9 (que é muito surreal para se dizer "de vídeos caseiros encontrados"), mas acaba, da mesma maneira deixando o espectador com a dupla sensação de "isso existe" e "isso é ficção". Digamos que seja uma "ficção que existe", apesar de ser tudo ficção mesmo. É um filme envolvente. A ausência de trilha sonora só aumenta a apreensão. Por mais que exista poder de influência de uma música bem elaborada para uma a cena, o silêncio é cruel. Faz você pensar nos seus próprios medos, se colocar na situação. Poderia ser real? Depende das suas crenças.

Se houver um terceiro filme, o que acho difícil, mas nunca se sabe, aposto na ideia de que vá mostrar a história da infância das irmãs, quando tiveram experiências ruins, das quais preferem não falar. E se, como diz no enredo, tudo começou com um pacto da bisavô delas com o coisa ruim nos anos 30, têm muitas sequências por vir. A única coisa que fica clara é que o improvável é a história ir para frente, a lógica seria apenas regressar.

Depois de assistir decidi que precisava pensar em outras coisas para passar um pouco aquela tensão toda. Liguei na CNN e comecei a assistir Piers Morgan Tonight - Inside de Mission: Catching Osama Bin Laden. Não deixava de ser outra história de terror. E, sim, eu tive pesadelos.

Recomendo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

♪♫ Aonde você mora? Aonde você foi morar? ♪♫

Existem médicos para o corpo e médicos para a alma. Você está procurando o certo?
Foto: Divulgação

Depois de bastante tempo sem conseguir assistir um filme inteiro (tentei vários, eu juro) por acabar dormindo, aproveitei que precisei ficar fora do ar um dia para atualizar o blog. O escolhido de hoje é Nosso Lar, filme nacional, baseado no livro homônimo de Chico Xavier, psicografando André Luiz. Fiquei feliz por ver um filme brasileiro de tão boa qualidade. O elenco reúne ótimos atores e atrizes e tem uma trilha sonora impecável. Trata de muitas curiosidades e especulações que o ser humano tem sobre como é que se vive depois que se morre, como se faz contato, em que se ocupar, como ajudar os outros e quem ficou. 

Para quem não segue a doutrina espírita, mas simpatiza, como eu, o filme é um semeador de imaginários sobre vida após a morte. Nunca tinha visto uma descrição com tantos detalhes (alguns bem computadorizados): ministérios, trabalhos, missões, méritos, muita coisa como na vida antes da morte, porém com mais densidade, mais dúvidas e até um leve toque de humor. A obra consegue ser intrigante e agradável. 

O nosso famoso purgatório é retratado de uma maneira um tanto assustadora, com mais sofrimento do que eu imaginava. Mas o que o salvou de lá foi a força de algo em que acredito, a oração. O homem , sofrendo, diz "não sei quanto tempo durou aquela súplica que vinha do fundo da minha alma, mas fui ouvido" e nos leva a acreditar que é possível uma recuperação quando há sinceridade. Da mesma maneira o enviado que resgatou André estendeu a mão para os outros que estavam nas trevas, mas eles ficaram assustados com a luz e não foram. Às vezes também acontece conosco, não é?

É fácil perceber que a questão central é a reflexão da lei da ação e reação. Logo no início do filme André Luiz fala   "um dia tudo vem à tona e nunca é tarde demais" e já para o final é explicado que se teria a oportunidade de voltar à vida terrena para evoluir, ter novas experiências e mudar. Somos levados a pensar também na questão do suicídio inconsciente, quando vamos fazendo coisas ao longo da vida que nos matam aos poucos, nos causam doenças físicas e psíquicas. Estamos nos matando sem querer (ou por querer? Tem dias que queremos morrer, tem aqueles que "bebem/fumam pra esquecer/relaxar", é uma maneira de matar e morrer para o problema...), uma morte sem consciência dos efeitos colaterais. 

Em uma pesquisa rápida, descobri que o livro Nosso Lar inspirou Ivani Ribeiro a escrever a novela A Viagem, que foi a primeira novela que me lembro de assistir, já no Vale a Pena Ver de Novo. Amava e não perdia um capítulo, acredito que isso e a simpatia pela doutrina espírita me levaram a compreender a história e a mensagem: tudo o que você faz, seja bom ou ruim, tem um efeito, que um dia você vai descobrir qual é. 

Recomendo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quando o dinheiro vale mais que a vida

Ela precisou ir ao deserto para descobrir o motivo de seu deserto interior.
Foto: Divulgação

É, eu escolhi mais um filme de jornalista. Cidade do Silêncio (Bordertown) 2006, baseado na história real de uma repórter, Lauren, que vai para Juarez, cidade na fronteira do México com os EUA, investigar o assassinato de centenas de mulheres. A região vive da exploração do trabalho delas em fábricas de artigos eletrônicos que, por serem produzidos ali, entram em um acordo de comércio, fazendo os donos das empresas cada vez mais ricos. O fato de elas estarem sendo assassinadas e naquele cenário é uma boa pauta, principalmente porque há a promessa de um cargo de correspondente internacional, caso trabalho seja bem feito. 

Chegando na cidade Lauren reencontra o também jornalista Diaz (seu ex, porque sempre tem um ex na história) para ajudá-la. No início ele não quer que ela investigue para não correr riscos mas acaba envolvido pelas circunstâncias. Uma das vítimas, Ana, sobrevive e está disposta a identificar e denunciar os agressores. Todos acabam envolvidos e correndo risco de morte, porque uma verdadeira rede de interesses comerciais abafa os crimes.

É um filme que deixa bem claro como o drama da infância da jornalista (seus pais eram imigrantes ilegais e foram assassinados, sendo ela adotada por uma família americana) influencia nas suas decisões e a diferença de classes existente na própria cidade. Enquanto uma menina era violentada e enterrada viva, outra ganhava um baile de gala com direito ao show do Juanes. Faz pensar sobre a realidade e a desigualdade do nosso mundo, porque isso, com certeza, não existe apenas lá, sabemos que acontece aqui. 

Mostra muitas cenas fortes e, para mim, até chocantes. Também tem uma cena muito peculiar, no estilo clipe musical, bem Jennifer Lopez: ela sai no corredor vazio da fábrica, depois de esculachar um gringo, então soa a sirene e as mulheres todas entram no corredor e a personagem se mistura a elas. Muito manjado, não gostei.

Quando a carreira se torna a vida

Já que todo mundo comenta o drama da história real, vou levar para o drama da história romanceada. Chamou a atenção quando a Lauren e Ana conversavam sobre suas vidas. A menina pergunta se a jornalista têm filhos e ouve a resposta negativa, justificada pelo trabalho. A garota insiste dizendo que a mãe dela também trabalha (e bastante, sendo praticamente escravizada nas fábricas) e têm filhos. Então, Lauren diz: "Eu tenho outro tipo de trabalho. Se chama carreira. Carreira é uma coisa que você deseja mais que tudo e depois que consegue vê que a vida perdeu o sentido". Ana hesita: "Não entendi" e a jornalista encerra dizendo "Então somos duas". É fácil perceber que ela se arrependeu de ter trocado Diaz pelo trabalho.

O jornalista, ex de Lauren, agora estava casado e com filhos e não deu atenção para o lado sentimental da história. Gostei disso. Na vida fora da tela deveria ser sempre assim também. Ele acaba sendo assassinado por causa da reportagem e ela decide viver em Juarez assumindo o jornal dele. A matéria, considerada maravilhosa, não foi publicada porque seu editor se rendeu à pressão política e corporativa, dizendo que "o entretenimento agora é a glória". Ele nem levou em consideração que a repórter arriscou a vida, no chamado "jornalismo gonzo", quando vivemos a situação que queremos retratar, não só para fazer a matéria, mas para pegar os assassinos.

Passa um pouco do limite? A polícia deve pegar o assassino, não o jornalista. Mas quando a polícia é corrupta? O jornal se torna o agente da justiça? Acredito que ela fez o que fez pelo envolvimento e identificação pessoal com os fatos e alcançou seu objetivo viva com muita sorte também. É um bom filme, para conhecer as realidades dos lugares e, principalmente, da manipulação da mídia em casos extremos, quando o dinheiro vale mais que a vida

terça-feira, 12 de abril de 2011

♩♫ "Do lado de cá..." ♩♫

A imagem nos permite a leitura da linguagem corporal. Foto: Divulgação

Quando escolhi assistir Frost/Nixon (2008) pensei que seria mais um filme sobre o Watergate e a mídia, como Todos os Homens do Presidente (1976). Não deixa de ser,  mas têm pontos de vista e objetivos diferentes: o primeiro é a causa e o segundo, consequência. Mas deixo Todos os Homens do Presidente para uma releitura quando assistir novamente. Fiquei feliz porque a obra envolve temas que gosto e conheço na prática como jornalismo, entrevista, televisão e, é claro, pressão. 

David Frost é retratado como um apresentador de TV sem muita credibilidade jornalística, até mesmo cômico. Trabalha na área do entretenimento e é bom no que faz, até que tem a ideia de entrevistar o ex-presidente Richard Nixon, longe de entrevistas desde a renúncia. Um programa biográfico que aos poucos entraria no tema chave, Watergate e um pedido de perdão aos Estados Unidos. Com todo seu charme e pensamento positivo, Frost começa o processo de preparo do programa com um produtor e mais dois jornalistas investigativos.

O levantamento de informações e a produção que é feita pelos jornalistas e o produtor é impecável. O sonho de qualquer pessoa que vai entrevistar alguém é ter toda aquela quantidade de informações para fazer perguntas, afinal seriam quatro programas de duas horas. Era preciso muito assunto e assunto era o que não faltava. Nixon receberia US$ 200.000 pela entrevista. O problema era que a produção independente não tinha o apoio de nenhuma rede David e estava com dificuldades para conseguir patrocínio. Os que apoiavam não passavam credibilidade para a grandeza do tema, o que irritava os colegas jornalistas, já que ele era visto como um artista e não um jornalista. 

"É preciso conhecer o inimigo"

Fica bem clara a separação do trabalho. Enquanto a produção vasculhava e levantava a vida de Nixon, Frost se preocupava em vender o programa e viver sua vida. Não se preparou adequadamente para a entrevista. Nas três primeiras gravações Nixon tomou conta e o desmontava com perguntas pessoais segundos antes de entrar no ar. Frost é revelado como a pessoa errada para fazer aquele trabalho. Apesar de um dos jornalistas ter dito "Ele tinha uma grande vantagem sobre a gente, ele entendia de televisão", ele não entendia de entrevistas difíceis, com pessoas de personalidade forte e que sabem tomar conta do espaço. 

Só no último programa, ao se ver desesperado, Frost estuda tudo o que foi pesquisado pelos colegas e se prepara decentemente para a batalha, como típico profissional de comunicação que trabalha melhor sob pressão. Neste ponto já não é mais apenas um trabalho. Finalmente colocou em prática "A Arte da Guerra". Ele teve a visão de que  o programa renderia muito dinheiro porque seria visto no mundo todo, mas demorou para perceber que um homem como Nixon não se entregaria fácil. E só assim conseguiu o famoso e exclusivo close no rosto derrotado de Nixon, depois de ser confrontado com provas e argumentos. É a imagem da derrota e a palavra dela, quando o ex-presidente diz em certo momento que "a TV e seus closes tem seus próprios significados".

"O holofote ilumina um só"

Frost/Nixon é um duelo de egos, do qual cada um sai um pouco vencedor e um pouco perdedor. Lendo sobre, descobri que muitos fatos foram omitidos ou distorcidos neste filme, assim como no que comentei anteriormente. Porém é cinema e o cinema, quando não se apresenta como documentário, não tem a obrigação com a fidedignidade da história. Os motivos são muitos, desde um final melhor ou um encaixe para que as coisas façam mais sentido, até mesmo a própria manipulação da opinião daqueles que acreditam em tudo que veem, apenas por ser verossímil. O estilo documentário no início e no fim ajuda a mascarar. 

O apresentador/artista aprendeu a lição de que uma boa entrevista exige preparo e conhecimento do assunto, principalmente quando tem peso, relevância. Nixon, reclamando do seu excesso de suor, que o fez perder o debate com Kennedy em 60, diz para David, "Você não sua, você nasceu para aparecer na TV". A televisão mostrou a imagem, não importavam as palavras. 

O que fica é a percepção de que qualquer pessoa com preparo e conhecimento do que funciona na TV pode alcançar seus objetivos com um pouco de técnica e prática. Prova disso são as campanhas políticas milionárias que elegem nossos governantes. Pagam bem para quem entende, a qualidade custa caro e todos sabem. Mas assim, fica fácil ser um Frost ou um Nixon, Basta escolher o lado. Eu já escolhi o meu. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma dúvida a mais

A felicidade pode ser um fim de tarde à beira-mar. Foto: Divulgação

O primeiro filme que escolhi para inaugurar o blog é um que há algum tempo já queria assistir: "My sister's keeper" (algo como "Protetor de Minha Irmã", traduzido no Brasil para Uma Prova de Amor), de 2009. Se eu queria subjetividade e variedade de conclusões é o filme ideal.

Um bebê de proveta é concebido para doar-se à irmã com leucemia. Na família há uma mãe superprotetora, um pai anulado e dois filhos que não recebem a atenção merecida por todos viverem em função da criança doente. O filme se apresenta como uma mudança de foco, do doente para o saudável e mostra os conflitos de cada um. Cada parte é narrada por uma das personagens, permitindo que o espectador veja por outros lados.

A principal reflexão que propõe é: os pais têm o direito de invadir, usar, o corpo de um filho para salvar outro? O que chama a atenção na história é a consciência da menina de onze anos de que está sendo o instrumento que prolonga a vida da irmã e contrata um advogado para sua emancipação médica. Ela ama a família, quer ficar junto deles, só não quer mais sofrer intervenções cirúrgicas, o que levaria à redução do tempo de vida da outra. Não quero entrar na questão da legislação, mas depois de assistir confesso que fiquei na dúvida.

O amor, quanto entra na história, torna tudo subjetivo e complicado (ou simples, depende do ponto de vista, como tudo). Não sou a melhor pessoa para refletir sobre amor de irmão, porque sou filha única, considero minhas primas como irmãs (e elas também são filhas únicas), mas sei que a convivência e outras questões de relacionamento são diferentes e também nem tenho filhos. Mas o filme conseguiu me transportar e me prender pelo dilema.

Devemos considerar justa "toda forma de amor"?

A irmã mais nova não queria deixar de ajudar, não doando seu rim, pelo contrário, estava ajudando a mais velha a morrer, já que ela mesma não queria outra parte física da irmã. A chave do filme é que própria menina doente pediu para a irmã parar aquilo, "libertá-la". Não era preciso doar nada, o amor bastava. Porém somos levados a julgar, durante quase toda a exibição o ato daquela que se recusa a dar mais uma parte de si. Surge outra questão quando pensamos nas pessoas que sofrem a vida toda e são mantidas vivas pelo amor, pelo amor dos outros. O mesmo amor que as fazem continuar sofrendo com medicamentos, procedimentos, transfusões.

É preciso dizer para a mãe que a filha não quer mais viver, que "ela está pronta", mas até o último minuto  o  instinto materno, de manter a cria viva, a faz insistir em mais uma cirurgia. Ao se recusar a levar a filha do hospital para "morrer em casa" sem saber o que a menina e a família pensam, ela diz "Eu não ligo para a opinião de ninguém". O amor se apresenta egoísta. O conjunto causou mais um ponto de interrogação, dentre os tantos que já tenho. O amor não era "paciente, compassivo... tudo suporta"?

As cenas são típicas, sol quando está tudo bem, bolhas de sabão, de uma maneira meio dramática, e chuvas e sombras nas partes tristes e de conflito. Mas de uma maneira curiosa une o sol ao frio, mostrando a fragilidade em contraste com a força. A menina doente, em fase terminal, sentada na areia e embrulhada em um cobertor, enquanto os irmãos brincam e correm perto da água. Poderia ser triste, mas é uma cena que transmite felicidade. Como a felicidade pode ser simples.

Subjetivo demais

O certo, o humano é nos doarmos e fazer de tudo para ajudar o outro, o próximo (a definição de quem é o  nosso próximo também é subjetiva), mas e se o outro não quer ajuda? E se ele está em dúvida? Eu estou em dúvida com tudo o que este filme transmitiu. São tantos pesos a se colocar na balança para tirar uma conclusão do que é certo ou errado, porque é mais fácil não pensar nessas situações quando não somos obrigados.

O filme tem uma ótima proposta. É fácil se identificar com vários personagens, entrar na história por qualquer lado. Em meio às trilhas calmas, e em certo ponto melancólicas, somos levados a ver a história através da janela do quarto do hospital. Assistimos ao drama, literalmente. E fica mais uma dúvida: E se fosse eu que estivesse, como qualquer personagem, dentro da história? Assistir a este filme com a mente aberta faz pensar sobre a vida, a morte e as maneiras de amar. É difícil achar uma resposta para qualquer uma dessas dúvidas enquanto não se decide escolher pela razão ou pelo coração.

domingo, 10 de abril de 2011

Primeira fornada


A Fábrica de Imaginários é o cinema. A Fábrica de Imaginários sou eu. A Fábrica de Imaginários pode ser você. Tudo depende da maneira como nos posicionamos no processo de comunicação através das imagens e palavras. Nunca pensei que me interessaria pelo tema Cinema, muito menos pela Teoria do Imaginário e acabei fazendo minha monografia com eles: "A imagem e a atuação do jornalista na sociedade, com base na personagem do Lobo Mau, na animação infantil Deu a Louca na Chapeuzinho, sob a perspectiva da Teoria do Imaginário". 

Já que este é meu blog, informo em primeira mão (até porque ninguém mais sabe disso) que esta semana receberei a confirmação sobre a publicação da adaptação da minha mono, em forma de artigo, feita pela minha orientadora, Heloisa Juncklaus, na revista Sessões do Imaginário da PUC de Porto Alegre. Pelo que ela me falou, eles gostaram bastante e a publicação é quase certa. Estou na torcida para que se confirme. 

Tudo isso só me estimulou a pensar e escrever sobre Imaginário e Cinema. Mas não de uma forma científica ou especializada, já que não tenho conhecimento suficiente para isso, mas através da subjetividade, do contexto da entrelinha e da "entrecena". Gosto de pensar sobre a imagem, sobre o discurso. Quero passar uma leitura de filmes com a leveza de uma crônica e não a densidade de uma sinopse ou uma crítica. Mesclar à percepção ideias próprias sobre como a obra pode criar imaginários. 

Para entender melhor

Se você nunca ouviu falar sobre a Teoria do Imaginário já adianto que ela não é completamente definível, mas alguns autores e estudiosos se arriscaram. Selecionei alguns trechos mais simples de entender, na minha opinião, todos de Juremir Machado da Silva, em As Tecnologias do Imaginário (Ed. Sulina, 2006), já em relação ao cinema. 

O imaginário, de acordo com Silva (2006), “é um ponto de vista e uma vista de um ponto”. Ele explica que todo indivíduo submete-se a um imaginário preexistente e que este imaginário funciona como um reservatório de imagens, sentimentos, lembranças, experiências, visões do real e leituras da vida que, individuais ou sociais, definem um modo de ser, ver, sentir, agir e estar no mundo. O autor afirma que todo imaginário é real e todo real é imaginário. Diz ainda que o ser humano é movido pelos imaginários que engendra, apenas existindo no imaginário. Desta forma toda a trama da experiência imaginada pela história passa a fazer parte da realidade do ouvinte/espectador. 

Acabando a exibição de um filme, o espetáculo de cores e melodias, cada um segue seu próprio caminho. “O imaginário é o trajeto antropológico de um ser que bebe numa ‘bacia semântica’ (encontro e repartição das águas) e estabelece o seu próprio lago de significados” (SILVA, 2006, p. 11). Assim, um incontável número de pessoas cria realidades imaginadas com base na experiência assistida. Um mundo novo nasce em cada mente, com suas particularidades e significados, mesclando o que o indivíduo já tinha com o que ele acabou de receber. 

Ele conclui que “o imaginário surge da relação entre memória, aprendizado, história pessoal e inserção no mundo dos outros. Nesse sentido, o imaginário é sempre uma biografia, uma história de vida” (SILVA, 2006, p. 57). E completa definindo que “mesmo estimulado por tecnologias, o imaginário guarda uma margem de independência total, de mistério, de irredutibilidade, de fictício, de inútil, e nunca se reduz ao controle absoluto do agente tecnológico emissor” (SILVA, 2006, p. 57). É importante destacar que ele também diferencia imaginário de imaginado, explicando que imaginado é “uma projeção irreal que poderá se tornar real” e que imaginário “emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor” (SILVA, 2006, p. 12). 

O que eu quero com isso? 

Como não poderia ser diferente, a ideia surgiu de um filme. Em "Julie & Julia" uma das personagens principais, diante de uma vida sem grandes emoções, desafia a si mesma a fazer em um ano 365 receitas de um livro da cozinheira preferida, uma por dia, postando no blog como foi o preparo, as dificuldades, se ficou bom ou ruim, etc. 

Um comentário de filme por dia: é o que vou tentar. Se não conseguir, compenso um dia com dois, mas esse é o objetivo. Vou ver o que estiver disponível nas minhas horas livres. Estou aberta a sugestões, mas provavelmente assistirei o que estiver passando nos canais que tenho da SKY, que já trazem bastante variedade. Porém, ocasionalmente e de acordo com o interesse, trarei filmes ainda em exibição nos cinemas e que alugarei em DVD (ainda não tenho blu-ray, ok? Ainda). 

Pretendo ver filmes de vários gêneros, de várias épocas. Já sei que não vou gostar de todos, mas vamos ver como sairá o comentário. Quero rever filmes que vi recentemente e também há muito tempo. O legal disso tudo será que em breve, não tão breve, terei assistido e refletido sobre o pensamento de centenas de fabricantes de imaginários. Afinal, para criar um filme, haja imaginário e imaginação!