A Fábrica de Imaginários é o cinema. A Fábrica de Imaginários sou eu. A Fábrica de Imaginários pode ser você. Tudo depende da maneira como nos posicionamos no processo de comunicação através das imagens e palavras. Nunca pensei que me interessaria pelo tema Cinema, muito menos pela Teoria do Imaginário e acabei fazendo minha monografia com eles: "A imagem e a atuação do jornalista na sociedade, com base na personagem do Lobo Mau, na animação infantil Deu a Louca na Chapeuzinho, sob a perspectiva da Teoria do Imaginário".
Já que este é meu blog, informo em primeira mão (até porque ninguém mais sabe disso) que esta semana receberei a confirmação sobre a publicação da adaptação da minha mono, em forma de artigo, feita pela minha orientadora, Heloisa Juncklaus, na revista Sessões do Imaginário da PUC de Porto Alegre. Pelo que ela me falou, eles gostaram bastante e a publicação é quase certa. Estou na torcida para que se confirme.
Tudo isso só me estimulou a pensar e escrever sobre Imaginário e Cinema. Mas não de uma forma científica ou especializada, já que não tenho conhecimento suficiente para isso, mas através da subjetividade, do contexto da entrelinha e da "entrecena". Gosto de pensar sobre a imagem, sobre o discurso. Quero passar uma leitura de filmes com a leveza de uma crônica e não a densidade de uma sinopse ou uma crítica. Mesclar à percepção ideias próprias sobre como a obra pode criar imaginários.
Para entender melhor
Se você nunca ouviu falar sobre a Teoria do Imaginário já adianto que ela não é completamente definível, mas alguns autores e estudiosos se arriscaram. Selecionei alguns trechos mais simples de entender, na minha opinião, todos de Juremir Machado da Silva, em As Tecnologias do Imaginário (Ed. Sulina, 2006), já em relação ao cinema.
O imaginário, de acordo com Silva (2006), “é um ponto de vista e uma vista de um ponto”. Ele explica que todo indivíduo submete-se a um imaginário preexistente e que este imaginário funciona como um reservatório de imagens, sentimentos, lembranças, experiências, visões do real e leituras da vida que, individuais ou sociais, definem um modo de ser, ver, sentir, agir e estar no mundo. O autor afirma que todo imaginário é real e todo real é imaginário. Diz ainda que o ser humano é movido pelos imaginários que engendra, apenas existindo no imaginário. Desta forma toda a trama da experiência imaginada pela história passa a fazer parte da realidade do ouvinte/espectador.
Acabando a exibição de um filme, o espetáculo de cores e melodias, cada um segue seu próprio caminho. “O imaginário é o trajeto antropológico de um ser que bebe numa ‘bacia semântica’ (encontro e repartição das águas) e estabelece o seu próprio lago de significados” (SILVA, 2006, p. 11). Assim, um incontável número de pessoas cria realidades imaginadas com base na experiência assistida. Um mundo novo nasce em cada mente, com suas particularidades e significados, mesclando o que o indivíduo já tinha com o que ele acabou de receber.
Ele conclui que “o imaginário surge da relação entre memória, aprendizado, história pessoal e inserção no mundo dos outros. Nesse sentido, o imaginário é sempre uma biografia, uma história de vida” (SILVA, 2006, p. 57). E completa definindo que “mesmo estimulado por tecnologias, o imaginário guarda uma margem de independência total, de mistério, de irredutibilidade, de fictício, de inútil, e nunca se reduz ao controle absoluto do agente tecnológico emissor” (SILVA, 2006, p. 57). É importante destacar que ele também diferencia imaginário de imaginado, explicando que imaginado é “uma projeção irreal que poderá se tornar real” e que imaginário “emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor” (SILVA, 2006, p. 12).
O que eu quero com isso?
Como não poderia ser diferente, a ideia surgiu de um filme. Em "Julie & Julia" uma das personagens principais, diante de uma vida sem grandes emoções, desafia a si mesma a fazer em um ano 365 receitas de um livro da cozinheira preferida, uma por dia, postando no blog como foi o preparo, as dificuldades, se ficou bom ou ruim, etc.
Um comentário de filme por dia: é o que vou tentar. Se não conseguir, compenso um dia com dois, mas esse é o objetivo. Vou ver o que estiver disponível nas minhas horas livres. Estou aberta a sugestões, mas provavelmente assistirei o que estiver passando nos canais que tenho da SKY, que já trazem bastante variedade. Porém, ocasionalmente e de acordo com o interesse, trarei filmes ainda em exibição nos cinemas e que alugarei em DVD (ainda não tenho blu-ray, ok? Ainda).
Pretendo ver filmes de vários gêneros, de várias épocas. Já sei que não vou gostar de todos, mas vamos ver como sairá o comentário. Quero rever filmes que vi recentemente e também há muito tempo. O legal disso tudo será que em breve, não tão breve, terei assistido e refletido sobre o pensamento de centenas de fabricantes de imaginários. Afinal, para criar um filme, haja imaginário e imaginação!

Nenhum comentário:
Postar um comentário