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| A felicidade pode ser um fim de tarde à beira-mar. Foto: Divulgação |
O primeiro filme que escolhi para inaugurar o blog é um que há algum tempo já queria assistir: "My sister's keeper" (algo como "Protetor de Minha Irmã", traduzido no Brasil para Uma Prova de Amor), de 2009. Se eu queria subjetividade e variedade de conclusões é o filme ideal.
Um bebê de proveta é concebido para doar-se à irmã com leucemia. Na família há uma mãe superprotetora, um pai anulado e dois filhos que não recebem a atenção merecida por todos viverem em função da criança doente. O filme se apresenta como uma mudança de foco, do doente para o saudável e mostra os conflitos de cada um. Cada parte é narrada por uma das personagens, permitindo que o espectador veja por outros lados.
A principal reflexão que propõe é: os pais têm o direito de invadir, usar, o corpo de um filho para salvar outro? O que chama a atenção na história é a consciência da menina de onze anos de que está sendo o instrumento que prolonga a vida da irmã e contrata um advogado para sua emancipação médica. Ela ama a família, quer ficar junto deles, só não quer mais sofrer intervenções cirúrgicas, o que levaria à redução do tempo de vida da outra. Não quero entrar na questão da legislação, mas depois de assistir confesso que fiquei na dúvida.
A principal reflexão que propõe é: os pais têm o direito de invadir, usar, o corpo de um filho para salvar outro? O que chama a atenção na história é a consciência da menina de onze anos de que está sendo o instrumento que prolonga a vida da irmã e contrata um advogado para sua emancipação médica. Ela ama a família, quer ficar junto deles, só não quer mais sofrer intervenções cirúrgicas, o que levaria à redução do tempo de vida da outra. Não quero entrar na questão da legislação, mas depois de assistir confesso que fiquei na dúvida.
O amor, quanto entra na história, torna tudo subjetivo e complicado (ou simples, depende do ponto de vista, como tudo). Não sou a melhor pessoa para refletir sobre amor de irmão, porque sou filha única, considero minhas primas como irmãs (e elas também são filhas únicas), mas sei que a convivência e outras questões de relacionamento são diferentes e também nem tenho filhos. Mas o filme conseguiu me transportar e me prender pelo dilema.
Devemos considerar justa "toda forma de amor"?
A irmã mais nova não queria deixar de ajudar, não doando seu rim, pelo contrário, estava ajudando a mais velha a morrer, já que ela mesma não queria outra parte física da irmã. A chave do filme é que própria menina doente pediu para a irmã parar aquilo, "libertá-la". Não era preciso doar nada, o amor bastava. Porém somos levados a julgar, durante quase toda a exibição o ato daquela que se recusa a dar mais uma parte de si. Surge outra questão quando pensamos nas pessoas que sofrem a vida toda e são mantidas vivas pelo amor, pelo amor dos outros. O mesmo amor que as fazem continuar sofrendo com medicamentos, procedimentos, transfusões.
É preciso dizer para a mãe que a filha não quer mais viver, que "ela está pronta", mas até o último minuto o instinto materno, de manter a cria viva, a faz insistir em mais uma cirurgia. Ao se recusar a levar a filha do hospital para "morrer em casa" sem saber o que a menina e a família pensam, ela diz "Eu não ligo para a opinião de ninguém". O amor se apresenta egoísta. O conjunto causou mais um ponto de interrogação, dentre os tantos que já tenho. O amor não era "paciente, compassivo... tudo suporta"?
As cenas são típicas, sol quando está tudo bem, bolhas de sabão, de uma maneira meio dramática, e chuvas e sombras nas partes tristes e de conflito. Mas de uma maneira curiosa une o sol ao frio, mostrando a fragilidade em contraste com a força. A menina doente, em fase terminal, sentada na areia e embrulhada em um cobertor, enquanto os irmãos brincam e correm perto da água. Poderia ser triste, mas é uma cena que transmite felicidade. Como a felicidade pode ser simples.
É preciso dizer para a mãe que a filha não quer mais viver, que "ela está pronta", mas até o último minuto o instinto materno, de manter a cria viva, a faz insistir em mais uma cirurgia. Ao se recusar a levar a filha do hospital para "morrer em casa" sem saber o que a menina e a família pensam, ela diz "Eu não ligo para a opinião de ninguém". O amor se apresenta egoísta. O conjunto causou mais um ponto de interrogação, dentre os tantos que já tenho. O amor não era "paciente, compassivo... tudo suporta"?
As cenas são típicas, sol quando está tudo bem, bolhas de sabão, de uma maneira meio dramática, e chuvas e sombras nas partes tristes e de conflito. Mas de uma maneira curiosa une o sol ao frio, mostrando a fragilidade em contraste com a força. A menina doente, em fase terminal, sentada na areia e embrulhada em um cobertor, enquanto os irmãos brincam e correm perto da água. Poderia ser triste, mas é uma cena que transmite felicidade. Como a felicidade pode ser simples.
Subjetivo demais
O certo, o humano é nos doarmos e fazer de tudo para ajudar o outro, o próximo (a definição de quem é o nosso próximo também é subjetiva), mas e se o outro não quer ajuda? E se ele está em dúvida? Eu estou em dúvida com tudo o que este filme transmitiu. São tantos pesos a se colocar na balança para tirar uma conclusão do que é certo ou errado, porque é mais fácil não pensar nessas situações quando não somos obrigados.
O filme tem uma ótima proposta. É fácil se identificar com vários personagens, entrar na história por qualquer lado. Em meio às trilhas calmas, e em certo ponto melancólicas, somos levados a ver a história através da janela do quarto do hospital. Assistimos ao drama, literalmente. E fica mais uma dúvida: E se fosse eu que estivesse, como qualquer personagem, dentro da história? Assistir a este filme com a mente aberta faz pensar sobre a vida, a morte e as maneiras de amar. É difícil achar uma resposta para qualquer uma dessas dúvidas enquanto não se decide escolher pela razão ou pelo coração.
