quarta-feira, 18 de maio de 2011

♫ E os caminhos nos trouxeram para este lugar ♪

Há um mundo por fora e um mundo por dentro de cada um.
O que eu vejo não é o mesmo que você vê.

A objetividade inalcançável que os jornalistas sempre perseguem (ou supõe-se que o fazem ou ao menos tentam) é deixada de lado pelo Cinema quando romanceia uma história. Aliás, quando decide transformar em filme uma história real. É semelhante ao Jornalismo de TV que usa imagens que representam a realidade. Poderíamos pensar pela lógica de que sabemos que o Cinema é ficção mesmo quando a base da história é verdadeira e o jornalismo não, deve ser totalmente real.

Em "A Caçada" (2007) ouvimos a frase "o jornal também publica horóscopo, e você acredita nele?". O leitor/telespectador médio ainda duvida e questiona determinadas histórias e coisas da mídia, mas o Cinema está acima de qualquer suspeita, porque não se apresenta como real. É ficção, projeção. Por isso a televisão precisa ser tão massiva e repetir inúmeras vezes as mesmas imagens, para também acreditarmos nela. Escutamos e falamos expressões como "Eu vi na TV, é verdade" ou "Eu vi um filme impressionante de uma história real" (geralmente com o pleonasmo "fato real" no lugar), como se ambos recebessem o mesmo peso, o mesmo significado.

O Cinema cria simulacros da realidade para representá-la, enquanto o Jornalismo, para reportar a realidade, é obrigado a usar representações (imagem/palavra/som) criando também esses simulacros. Imagens não são a realidade mesmo que a mostre. Imagem é representação. E como qualquer representação tem seus atores, edições e cortes para melhor se adaptar à tela. Do mesmo modo, a publicidade muitas vezes cria uma ficção para que o receptor acredite que terá aquela realidade se obtiver ou consumir determinado produto.

O fato é que vivemos cercados de representações e as consideramos como nossas realidades. Usamos redes sociais e de troca de mensagens nas quais não chamamos mais as fotos de fotos, mas sim de Avatares. Um Avatar, segundo a religião Hindu, é uma encarnação de um ser divino. Para James Cameron, Avatar é um ser que recria outro e que vive através do controle mental de um humano e que ainda lhe rendeu milhões de dólares. Para mim, Avatar é minha foto no Twitter. Só aqui temos três verdades sobre uma palavra. Imagine quantas verdades existem para os fatos que, de maneira simplista, acreditamos naquela que vemos na mídia.

Completando a música do título, esse é o nosso mundo em comum, e "aqui vamos ficar; amar, viver, lutar; até tudo acabar..." ♪♫ lere lerê ih!

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